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Antes do Carnaval, mídia constatou busca pela fantasia infantil do Bope no Rio “Tropa de Elite osso duro de roer, pega um pega geral também vai pegar você”. O filme “Tropa de Elite”, do diretor José Padilha, levou cerca de 2,5 milhões de espectadores ao cinema, faturou aproximadamente R$ 10,5 milhões e abocanhou o Urso de Ouro, no Festival de Cinema de Berlim. Apesar da classificação indicativa “Para maiores de 16 anos” e das cenas de violência, junto aos seus pais, crianças e adolescentes de todo o Brasil puderam acompanhar a saga do protagonista, Capitão Nascimento (Wagner Moura), por um substituto para o seu cargo no Batalhão de Operações Especiais, o Bope. No entanto, a “exibição” não aconteceu nas salas de cinema, mas sim, nos televisores domésticos através de cópias piratas. O que não se esperava é que o filme se tornasse uma febre entre as crianças e que elas passariam a imitar o comportamento do Capitão Nascimento e a mitificar a tropa de elite carioca. A frase citada no início da matéria faz parte da trilha sonora do longa e é o refrão da música homônima ao título do filme. Quando “brincar” de Bope surge, a canção executada e composta pela banda Tihuana, se torna o grito de guerra da criançada dos condomínios de luxo, dos apartamentos de classe média e das favelas das cidades brasileiras. Bope na matinê Antes do Carnaval de 2008, empresas de comunicação como a agência de notícias Reuters e os jornais O Dia e O Estado de S. Paulo publicaram reportagens que apresentavam a grande procura por fantasias do Bope pelo público infantil carioca. A matéria “Fantasia do Bope para crianças vira hit no Rio”, de 18/1/2008, de O Estado de S. Paulo, explicou que o modelo infantil completo, apelidado de ‘Trupe de Elite’, era composto por saia ou short, colete com símbolo da caveira do Bope, coldre e boina. De acordo com os veículos de comunicação, as fantasias para meninos e meninas podiam ser encontradas em lojas para crianças de dois a 14 anos, custavam em média R$ 50 e tiveram procura tão grande que se esgotaram antes do início da folia. A redatora-chefe da revista Época, Ruth Aquino, também abordou o tema em sua coluna “Nossa Antena”, da edição 507, de 4/2/2008. No texto intitulado “Créu nelas, Bope neles”, a jornalista observou que o preço da fantasia completa do Bope é o dobro da de palhaço, super-herói ou pirata e que diversas mães pagaram antecipadamente para garantir a “indumentária” de seus filhos em novas levas. “Super-heróis exterminadores sempre atraíram os meninos. Só que este, do Bope, é real. Ele sobe o morro e se envolve na guerra do tráfico. A cidade do Rio de Janeiro é campeã brasileira em assassinatos de jovens entre 15 e 24 anos, segundo o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros. Foram 876 jovens mortos em 2006”, escreveu. Sob a ótica do Criança e Consumo Em entrevista ao www.criancaeconsumo.org.br, a psicóloga do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, Lais Fontenelle Pereira, explicou que a criação e a venda da versão infantil para a fantasia da Tropa de Elite demostra que a criança foi colocada no mundo dos adultos. “Antigamente, o que separava o universo infantil do adulto era a alfabetização formal. Para entenderem alguns segredos do mundo adulto, as crianças precisavam saber ler e escrever”, avaliou. “Diferentemente de hoje, em que, através da televisão, as imagens imperam e falam diretamente com a criança”, considerou. Para a profissional, a supervalorização da fantasia da ‘Trupe de Elite’ foi negativa. “Ela cerceou a capacidade lúdica da criança em criar a sua própria fantasia com símbolos e signos que não venham com a farda do Bope”, afirmou. Lais, que morou na cidade do Rio de Janeiro por 25 anos e hoje reside na capital paulista, terminou lembrando que a realidade carioca auxiliou na escolha da fantasia: “Essa roupa foi escolhida porque fala da realidade social delas”, disse. “É triste pensar que os piratas e as bailarinas desapareceram dos bailes infantis e que os 'policiais do Bope' ganharam força no Carnaval 2008 do Rio”. Leia outros trechos da entrevista com Lais Fontenelle Pereira, do Criança e Consumo, em “Criança e Consumo discute fantasia da ‘Trupe de Elite” |