“O Dia Mundial dos Direitos do Consumidor abre espaço para a sociedade refletir sobre os riscos do consumo excessivo para a formação dos pequenos”, diz Maria Helena Masquetti
Maria Helena Masquetti, 55, é a profissional responsável pelos pareceres psicológicos que acompanham as ações judiciais do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana. De 1973 a 1985, foi redatora em agências de publicidade e já atendeu contas da Nestlé, Rede Globo e Credicard. Apesar da estabilidade, deixou a área em 1986 e começou a cursar Psicologia, sua grande paixão, e hoje já acumula 14 anos de experiência clínica.
Atualmente, a nossa baixinha de 1,57 m divide a sua vida profissional entre Criança e Consumo e pacientes de seu consultório. Com dois filhos criados, viveu dentro da própria casa todos os estágios e problemas que a publicidade pode causar às crianças. “Lembro-me das dificuldades que enfrentei tentando convencer meus filhos do quanto eles eram valiosos mesmo sem terem todos os brinquedos que seus coleguinhas acumulavam”, diz a seguir Maria Helena analisa o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor sob a ótica da preservação dos direitos da infância.
www.criancaeconsumo.org.br - Como as crianças vêem as datas comemorativas? A partir disso, qual é o impacto do Dia Mundial dos Direitos do Consumidor para elas?
Maria Helena Masquetti - É da natureza infantil a atração por brinquedos e a indústria há muito se aproveita dessa vulnerabilidade, enaltecendo as datas comemorativas como motivo para presenteá-las. Por isso, elas aprendem a esperar pelas datas, não pelo sentido afetivo que as mesmas possam ter, mas pelos presentes que poderão ganhar.
O impacto do Dia Mundial dos Direitos do Consumidor para as crianças, começa pela criação da data. O dia abre espaço para a sociedade refletir sobre os riscos do consumo excessivo para a formação dos pequenos. O materialismo e o conceito de felicidade atrelado ao acúmulo de bens de consumo são algumas dessas ameças.
www.criancaeconsumo.org.br - A sociedade está pronta para discutir e inter-relacionar consumismo e infância? Quais são os efeitos dessa associação?
MHM - Noto que aos poucos isto está acontecendo. Tudo o que é demais cansa e as pessoas vão se dando conta de que quanto mais presentes compram para os filhos mais eles querem ganhar. Ao mesmo tempo, o lançamento de novos produtos ocorre num ritmo cada vez mais frenético, gerando uma obsolescência rápida do prazer proporcionado pelos objetos desejados.
Essa associação ajuda a indicar para os pais que o bem-estar da criança é uma questão muito mais afetiva do que material. E eles podem questionar, então, sobre o porquê de gastarem tanto se as crianças continuam se sentindo tristes e inferiorizadas quando lhes falta um novo brinquedo. O prognóstico positivo é que os pais perderem o medo de dizer ‘não’ quando preciso, confiando na força protetora desta atitude.
www.criancaeconsumo.org.br - No seu ponto de vista, como os pais devem conduzir as comemorações do dia 15 de março?
MHM – Primeiramente, não se deixando confundir pelas estratégias de vendas que procuram fazer deste dia mais uma ocasião para consumir por meio de promoções, ofertas, entre outros.
Além disso aproveitem para comemorar a data junto às crianças como um dia para se pensar sobre a diferença entre necessidade e desejo e para ensiná-las os quatro direitos fundamentais do consumidor: Direito à Segurança, Direito à Informação, Direito à Opção e Direito a Ser Ouvido.
www.criancaeconsumo.org.br - Nesta data, quais são as atividades mais indicadas para os pais realizarem com seus filhos pequenos?
MHM - Se possível, criar alternativas ao consumo com atividades que envolvam o contato afetivo e a socialização. A leitura, por exemplo, cai sempre bem. Uma idéia é lançar um desafio às crianças para descobrirem qual é a melhor maneira de se divertirem empregando o dinheiro somente no que é realmente necessário. Daqui a algum tempo, elas perceberão que os produtos passaram e a lembrança deste dia ficou, e essa lição não tem preço.
|