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Brincar pode ser a solução A psicopedagoga argentina Alicia Fernández está convencida: os problemas de aprendizagem terão fim quando professores e alunos conseguirem criar uma nova relação com o tempo Diretora do Espaço Psicopedagógico Brasil-Argentina-Uruguai, a psicopedagoga argetina Alicia Fernández marcou presença hoje pela manhã no Congresso Brasileiro sobre Dificuldades de Aprendizagem e do Ensino, que ocorre em São Paulo, até amanhã, 16 de fevereiro. Com um claro empenho em falar o português e ser entendida pela platéia, ela abordou o tema “Psicopedagogia e Transformação Social”. Ao longo de uma hora e meia, desvendou os sintomas que, de acordo com seus estudos, não pertencem às crianças e aos jovens, mas são neles depositados, como a hiperatividade, a indiferença e a desatenção. “A hiperatividade é colocada nas crianças como sendo delas, mas, na verdade, a sociedade é hiperativa”, afirmou. Outro sintoma que a preocupa é a hiperpassividade pensante, termo cunhado pela própria pesquisadora. “A hiperpassividade pensante leva à hiperatividade”, concluiu. Na prática, os dois pólos estão mais próximos do que a maioria dos educadores supõe. E tal aproximação se dá pela via do tédio. “As crianças e jovens acham-se pouco interessantes, pois perderam a conexão com a imaginação”, constata. Se os dramas vividos diariamente em sala de aula parecem cada vez mais distantes da solução, o antídoto não poderia ser mais simples. Pelo menos, na visão apaixonada e contagiante de Alicia: “O papel da Psicopedagogia é abrir espaço para que as pessoas se sintam criativas, para que desenvolvam um rico mundo interno”. Um novo tempo - Há vinte anos, queixas como hiperatividade e déficit de atenção não existiam nas escolas. As preocupações reinantes diziam respeito ao fato de as crianças e os jovens não conseguirem aprender, relembrou Alicia. Os tempos eram outros e, naquela época, o que ela chama de “meios de aprisionamento da inteligência” se manifestavam claramente através do “fique quieto”, ou do “faça a lição”. Hoje, essa postura castradora é mascarada por rótulos fabricados pelos consultórios, comos distúrbios que são resolvidos em muitos casos com medicamentos. “Nossa capacidade de prestar atenção está prejudicada pois, para isso, precisamos de tempo”, afirma. Alicia está certa de que os problemas de aprendizagem terão fim quando professores e alunos conseguirem criar uma nova relação com o tempo, um caminho promissor para a transformação. Mas como combater em sala de aula o excesso de informação e a vertiginosidade que rege a sociedade moderna, vilões do aprendizado? Brincadeira restauradora - Somos construtores de tempo, mas, segundo Alicia, ainda acreditamos que ele é algo externo a nós. Para a Psicopedagogia, uma das maneiras mais simples e eficazes de “produzir” tempo é por meio da brincadeira. No terreno do lúdico e do simbólico, a criança pode voltar a exercer uma habilidade sacrificada pelo excesso de estímulos: a escolha. O que torna os jogos e o livre brincar ainda mais restauradores. “Brincar é escolher cenários, personagens”, compara. Mais que isso, é permitir que a criança se transforme em autor, um ser dotado de iniciativa e sabedoria. “Ao permitir que uma criança conte uma história, deixamos que ela nos ensine”. Ao que parece, nesse simples e prazeroso consentimento reside a reviravolta de toda uma história. Veja também no site de NOVA ESCOLA: - entrevista da psicopedagoga sobre gênero e Educação - reportagem sobre dislexia - ouça o podcast Nova Escola Online, 15/02/2008 link: http://revistaescola.abril.com.br/online/reportagem/repsemanal_270257.shtml |