Coelho do Hamas prega extremismo
Assud é nova estrela de programa infantil

Em sua campanha para conquistar corações e mentes a favor de sua causa extremista, o grupo palestino Hamas lançou um novo personagem para o programa infantil Pioneiros do Amanhã, de sua TV Al-Aqsa: um coelho chamado Assud, que em árabe significa leão.

Assud é um boneco parecido com o Pernalonga. Ele assumiu o lugar de seu irmão, a abelha Nahul, que morreu em um hospital da Faixa de Gaza porque, como o território está bloqueado por Israel, não pôde receber tratamento no vizinho Egito.

O programa vai ao ar às sextas-feiras e é reprisado às segundas. Ele é falado em árabe, mas tem legendas em inglês. Lançado em abril de 2007, logo atraiu críticas, pelo fato de o personagem principal, o rato Farfur, pregar a destruição de Israel e dizer que o islamismo comandaria o mundo.

Um mês depois, o governo da Autoridade Palestina ordenou o cancelamento do programa por causa das reclamações de funcionários israelenses, que o qualificaram como ultrajante. No entanto, o Hamas o manteve por mais algum tempo.

Farfur, um clone do Mickey Mouse, encerrou sua carreira artística de forma trágica. No último episódio, em 29 de junho, foi “morto” por um israelense que queria comprar suas terras. O Hamas, que já havia tomado o controle da Faixa de Gaza após derrotar e expulsar as forças de segurança da Autoridade Palestina, disse que estava tirando o Pioneiros do Amanhã do ar para dar lugar a uma nova programação.

Não demorou muito e o programa estava de volta com Nahul, a abelha, assumindo o posto de seu tio Farfur. Ela prometeu “vingança contra os inimigos de Alá, os assassinos do profeta”, ao lado de Sara, uma apresentadora de 11 anos. Em um dos episódios, a menina diz que queria ser médica, mas, se isso não for possível, gostaria de ser mártir, termo que os radicais usam para se referir a suicidas.

Apesar dos esforços do Hamas para influenciar as crianças, o professor palestino Awni Saman, da Universidade de Al-Azhar, em Gaza, acredita que o grupo radical não está tendo muito sucesso, já que a maioria prefere assistir a programas infantis tradicionais. “Nunca ouvi meu filho e seus amigos falando sobre esse programa. Eles conversam mais sobre personagens dos desenhos internacionais”, disse Saman. (Angela Perez)

O Estado de S. Paulo, Internacional, 26/02/2008
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