Pizza congelada é reprovada por excesso de sódio e gordura
Pesquisa foi realizada pelo Idec com as informações dos rótulos de 20 marcas de pizzas resfriadas e congeladas
Conclusão é que 2 pedaços do alimento contêm toda gordura saturada e metade do sódio que um adulto deve consumir durante 1 dia


Dois pedaços de pizza contêm toda gordura saturada e metade da quantidade de sódio (sal) que um adulto deve consumir durante o dia. A conclusão é de uma pesquisa do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) que avaliou os dados dos rótulos de 20 marcas de pizzas congeladas e resfriadas.

Excesso de sódio está relacionado à hipertensão arterial. Gordura saturada e gordura trans colaboram para o aumento do colesterol ruim no sangue, que causa entupimento das artérias. Ambos são fatores de risco cardiovascular.
Em média, dois pedaços de pizza têm 1.200 miligramas de sódio, o equivalente a 20 refeições compostas por filé de frango, brócolis, arroz, feijão e salada de alface, pepino, cenoura e beterraba. Ou a 6,5 pratos de bife à milanesa, arroz, feijão e salada de maionese, numa comparação menos "light".

Entre as marcas analisadas, a do supermercado Dia% é a que declara menor quantidade de sódio por pedaço: 340 mg na de mussarela e 337 mg na de calabresa. As pizzas de mussarela das marcas Carrefour, CompreBem e Extra têm em média 750 mg, ou 65% do sódio recomendado para o dia inteiro. A marca Frescarini é a que tem maior teor de sódio: 769 mg.
O sódio conserva o alimento ao diminuir a atividade da água e, assim, impedir o crescimento e a proliferação de microorganismos. Também é usado para realçar o sabor dos alimentos.

Ao menos 13 das 20 marcas pesquisadas apresentaram também uma grande quantidade de gordura saturada. Dois pedaços de pizzas de mussarela da Sadia e da Perdigão têm 20 g e 11,4 g de gordura saturada, respectivamente. A recomendação diária para uma dieta saudável é de, no máximo, 22 g. Para efeito de comparação, 20 g de gordura saturada equivalem a uma feijoada completa.
Em relação à gordura trans, as pizzas da marca do supermercado Dia% são as piores, segundo o Idec. Dois pedaços -de mussarela ou calabresa- possuem 1,5 g de gordura trans. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estabelece um limite de consumo diário desse tipo de gordura de 2 g por dia.

Segundo o técnico do Idec Carlos Thadeu de Oliveira, coordenador da pesquisa, a quantidade de sódio e de gordura presente nas pizzas está longe de colaborar para uma dieta saudável. "Os fabricantes podem melhorar muito a qualidade desses produtos. Se a culpa é do queijo, que troquem o fornecedor. O que não pode é o consumidor colocar a saúde em risco", afirma.
Na opinião de Oliveira, o consumidor não precisa parar de comer pizza, mas deve consumi-la com parcimônia e ficar atento às marcas que ofereçam produtos de melhor qualidade do ponto de vista nutricional. Uma surpresa da pesquisa, segundo ele, foi o fato de as pizzas de mussarela terem mais gorduras que as de calabresa.

Atividade física
A nutricionista Mariângela Daláqua, do Conselho Regional de Nutricionistas, acrescenta outras recomendações: se a pessoa comer pizza, faça uma atividade física correspondente. "Pelo menos 40 minutos de caminhada diária para queimar [a gordura]."

Outra orientação é compensar o excesso de sódio e de gordura com uma alimentação mais equilibrada. "Se comer pizza à noite, opte por um café da manhã e por um almoço com pouca gordura, mais saudável."
Na sua opinião, a quantidade de sódio e de gordura revelada na pesquisa da Idec é "altíssima" e coloca em risco a saúde de crianças, idosos e pessoas com problemas cardiovasculares. "Temos que brigar para que a indústria diminua esses valores, que são absurdos." (Cláudia Collucci)

Folha de S. Paulo, Cotidiano, 26/02/2008
link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2602200813.htm



Fabricantes dizem que seus produtos cumprem o que é previsto na legislação
As empresas que detêm as marcas das pizzas analisadas pelo Idec alegam que os altos níveis de gordura saturada e de sódio das pizzas são conseqüência do queijo.

"A mussarela, ingrediente principal do produto mencionado, é um alimento rico em cálcio e proteína, porém apresenta níveis consideráveis desse tipo de gordura por ser derivado de leite", informa a Sadia. Segundo a empresa, a redução do teor de sódio é uma preocupação constante da marca.
"Atualmente a empresa possui um grupo de pesquisadores dedicado a encontrar alternativas para diminuir significativamente sua utilização. No entanto, esse processo envolve um prazo relativamente longo de estudo e de adaptação."

O Wal-Mart Brasil alega que os níveis de gordura saturada e de sódio são provocados pelos ingredientes usados pelo produto. "Trata-se de um alimento que não se enquadra no perfil light e diet. As informações estão dentro dos padrões estipulados por lei e as embalagens contêm todas as informações necessárias para que nossos consumidores possam escolher o que desejam comer."
Já o Dia% informa que todas as pizzas congeladas estão sendo analisadas para a possibilidade de redução da gordura trans, por meio de uma nova matéria-prima. "Esclarecemos que o valor informado de 1,5 g cumpre com a legislação vigente, onde não há recomendação diária desse tipo de gordura para um consumo seguro." O limite da OMS é de 2 g por dia.
A Perdigão, das marcas Apreciatta e Batavo, informa que a quantidade de gordura saturada da pizza de mussarela é uma característica própria do queijo. "A empresa utiliza os melhores ingredientes, observando sempre as especificações recomendadas pela legislação."

O Carrefour esclarece que suas tabelas nutricionais são elaboradas de acordo com as normas vigentes e que não há limites máximos de sódio exigidos, e, sim, recomendados.
O grupo Pão de Açúcar se limitou a informar que mantém um rígido controle do seus produtos e realiza estudos para a implantação de melhorias. A Frescarini, do grupo General Mills, diz que suas pizzas estão dentro da lei, mas que a empresa avalia a possibilidade de reduzir as taxas para assegurar alimentos mais saudáveis. (Cláudia Collucci) Folha de S. Paulo, Cotidiano, 26/02/2008
link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2602200814.htm