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Alimentação saudável se aprende na escola Alunos são incentivados a comer frutas e legumes por colégios que não oferecem mais doces em suas cantinas Aprender sobre alimentação saudável ganhou um novo sabor nas escolas do Rio. A partir deste ano, algumas instituições vão incentivar a prática de hábitos saudáveis como, por exemplo, tomar o café da manhã diariamente e escolher legumes e verduras para compor suas refeições. Preocupados com o bem-estar dos estudantes, muitos colégios já aboliram de suas cantinas, nos últimos anos, os alimentos doces, gordurosos e com excesso de sal. Iniciativas como estas são muito bem-vindas pois, de acordo com um estudo mundial publicado no “International Journal of Pediatric Obesity”, quase metade das crianças das Américas do Norte e do Sul estarão acima do peso em 2010. No Brasil, cerca de 30% das crianças já estão acima do peso e, entre 10% e 15%, estão obesas. A partir de amanhã, os alunos dos ensinos fundamental e médio do Centro Educacional Anísio Teixeira (Ceat), em Santa Teresa, terão a opção de fazer o desjejum na escola. A nutricionista Suzete Marcolan, que trabalha no colégio há 20 anos, decidiu elaborar o cardápio, com quatro opções de café da manhã, depois de constatar que 42% dos alunos da manhã saiam de casa sem se alimentar: — A escola deve estar atenta às necessidades da família. Muitos alunos dizem que enjoam na van, outros não sentem fome. Mas, se ele não toma o café, come besteiras durante o dia e isso pode levar ao sobrepeso. Os kits do Ceat serão compostos por itens que já são vendidos na cantina, mas quem comprar o pacote terá desconto de 20%. Pão integral com queijo minas na chapa e suco de laranja custará R$3,52. Mas terá opção de café com leite e pão na chapa por R$1,36. As irmãs Camilla e Renata Castello Branco de Mello Bastos, que tomam café em casa, aprovaram a iniciativa: — Sempre bebo leite em casa e como uma fruta no caminho. É importante se alimentar bem — diz Camilla, de 14 anos. Desde 2006, a portaria interministerial 1.010 estabelece as diretrizes para a promoção da alimentação saudável nas escolas públicas e privadas do país. Além de oferecer cardápios menos calóricos, a medida orienta que as escolas devem incluir o tema em sua política pedagógica. A portaria, dos ministérios da Saúde e da Educação, alerta sobre a necessidade de prevenção de doenças como diabetes, obesidade e hipertensão. No Ceat, o tema já entrou para o currículo e é abordado em aulas de ciências, por exemplo. Alunos são incentivados a levar frutas para a escola Na Escola Suíço-Brasileira, na Barra, uma vez por semana os alunos da educação infantil são convidados a levar diferentes tipos de frutas, que são trocados durante a aula. O objetivo é estimular o consumo desse tipo de alimento: — Se a mãe compra caqui, talvez ele não coma em casa. Mas se um colega oferece na escola, acaba provando — diz Everardo Candido da Silva, diretor administrativo-financeiro da Suíço-Brasileira. Na escola da Barra, existe um restaurante para os alunos de horário integral. Este ano, a cozinha está a cargo da Comissaria Rio, empresa que fornece alimentação para vôos e, pela primeira vez, atua no ramo de escolas. — Alimentação escolar é diferente. A criança está em formação, precisa aprender a comer frutas, legumes — diz a nutricionista Carla Santopietro, que atua na escola. Alimentação escolar é realmente um assunto bastante específico, tanto que o Conselho Regional de Nutricionistas (CRN-4) criou nesta gestão uma Câmara Técnica só para tratar deste tema. — Em 20 anos triplicou o percentual de crianças com excesso de peso. Nos últimos anos houve uma campanha grande pelas cantinas saudáveis, mas alguns pais insistem em botar refrigerante ou biscoito recheado na merendeira. A família tem que colaborar — diz Márcia Teixeira, conselheira do CRN-4, que há 20 anos trabalha no Miraflores. Desde 1991, a Lei estadual 1.942 proíbe o comércio de doces por ambulantes a uma distância mínima de 200 metros de todas as escolas. De acordo com ela, cantinas e máquinas instaladas dentro de colégios não podem vender guloseimas e devem dar prioridade aos produtos naturais. De acordo com o decreto 21.217, da prefeitura, as escolas municipais não podem confeccionar nem distribuir produtos como balas, chicletes, pirulitos, alimentos ricos em colesterol, sódio e corantes. O Globo, Rio, 25/02/2008 link: http://arquivoglobo.globo.com/pesquisa/texto_gratis.asp?codigo=3291322 |