Educação é a ferramenta para planejar o futuro

A sociedade mundial está em movimento, e crescendo. Nos países em desenvolvimento, esse crescimento explicita uma tendência de que a maioria dos fazedores de decisão possa ser a faixa dos mais jovens.
No mundo desenvolvido, em contrapartida apresentando uma população concentrada nas faixas etárias mais elevadas, certamente se identificará com maiores dificuldades para compreender as mudanças e o que as motivam. Assim, no novo mundo já vivo e presente, tudo parece indicar que os jovens estejam com a palavra.
Indicadores gerais confirmam o que está acontecendo. Mudanças significativas são impulsionadas pelo extraordinário desenvolvimento das telecomunicações, hoje instantâneas e universais. O fenômeno da globalização mundial começou, no final do Século XX, com os fluxos de recursos financeiros percorrendo o mundo independente de moedas locais, ganhando espaço o câmbio livre. Mais recentemente o movimento de produtos se intensificou, indo e vindo de e para todas as regiões. Nestes momentos observa-se o crescimento da migração de pessoas gerando e buscando oportunidades em outros países ou continentes. Este efetivamente é um fenômeno descrito com detalhes no excelente livro de Thomas Friedman - O Mundo é Plano.

No novo Século XXI já é constatado que a maioria das populações vive em áreas urbanas, densamente povoadas. O setor rural mostra reduções populacionais e, como conseqüência, a maioria das atividades econômicas ocorre nas cidades. E é nesses aglomerados humanos mundiais que a riqueza vem se concentrando, criando sérios problemas urbanos hoje sentidos e vividos nas metrópoles que não param de crescer. Possivelmente, por esta mesma razão é que o produto mundial de serviços tenha superado o industrial.
Tudo isso mostra que a globalização é uma realidade! Seu impacto já é sentido pelas empresas, regiões, países e pelas pessoas. Uma integração entre economias nacionais, culturas, tecnologias produz uma interdependência ainda não completamente compreendida, mas inevitável. Isto está cada vez mais explícito pelo surgimento de normas e regulamentos internacionais, como os de direitos humanos, meio ambiente, qualidade e padronização de produtos, etc. E essa nova fronteira de um "Direito Mundial" é que há valores insuspeitados e que contribuirá para novos horizontes do futuro.

Em resumo, constata-se que os cidadãos são hoje mais mundiais e menos nacionais. Os mais variados produtos fabricados em todos os países podem ser encontrados em todo o mundo, fragilizando fronteiras políticas.
Os especialistas mundiais são unânimes. Muito do futuro pode ser previsto e, assim, é possível planejá-lo, mas sem dúvida, fugindo dos atuais estereótipos criados pelos ambientes locais. No entanto, fatos novos e imprevisíveis, descobertas ou acontecimentos que quebraram paradigmas, podem alterar todo um quadro planejado. A pergunta seria: como tratar tais fatos que, como ocorreram no passado e alteraram quase tudo? A resposta obriga-nos a colocar que os vencedores no futuro não são os que fizeram os melhores planos, mas aqueles que responderam com rapidez e eficiência em relação ao inesperado.

Os argumentos acima, embora generalistas, começam a apontar caminhos para análises que certa-mente poderão interessar não somente a fabricantes de produtos, mas àqueles que se dedicam ao fornecimento de serviços. Nos planejamentos dos países, das regiões e das empresas cada elemento básico precisa ser pensado, e mais do que isso, ampliado para atingir todos os campos, e com eles interagir. Os tópicos das preocupações mundiais, os quais podem ser usados para planejamentos, certamente passarão pelas grandes preocupações de hoje, transportes, energia, alimentos, telecomunicação, saúde, educação e outras. Nesse cenário em ebulição ganharão aqueles que melhor entenderem as novas atitudes e ações que sejam requeridas para melhor tirar vantagens de cenários ainda não presentes, mas que poderão se apresentar em poucos anos ou décadas.
Na atualidade, as bases da vida dependem de quantidades e variedades de produtos e de serviços, as quais nos fazem absolutamente dependente da sociedade como um todo, e da sua capacidade de apoiar a cada um. Mesmo os eremitas, tão comuns no passado, não mais sobrevivem, entre outras necessidades, por exemplo, sem um telefone celular, alimentação ou vestimenta produzida por uma multinacional em algum lugar do mundo.

Nos estudos realizados por entidades em todos os quadrantes da Terra uma unanimidade desponta e já norteia as ações dos planejadores governamentais. A educação, generalizada e de especialização, ao acesso de qualquer cidadão no melhor nível possível de qualidade, mostra-se como necessidade fundamental e que contará firmemente na classificação dos vencedores do futuro. Um bom exemplo disso é a surpresa que sentimos quando vemos uma criança trabalhando num computador com espantosa facilidade, como se aquela máquina falasse uma língua que faz parte do seu entendimento básico. Por tudo isso, não se pode chegar ao futuro, sem que se planeje o como chegar lá!

Ozires Silva - Diretor-presidente da mantenedora da Universidade de Santo Amaro. Ex-presidente da Embraer.

Gazeta Mercantil, Opinião, 25/02/2008
link: http://www.gazetamercantil.com.br/integraNoticia.aspx?Param=18%2c0%2c+%2c1565744%2cUIOU