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Tv e computador – você é o filtro Vivemos sob um furacão de informações e seu filho está bem no olho dele. São desenhos, notícias, sites, games e programas convivendo com o pequeno diariamente. E há os amigos falando sobre as novidades tecnológicas, brinquedos e uma infinidade de produtos com os personagens que ele já adora. Ufa! É possível dar conta de tanto conteúdo? Saiba aqui como usar tudo Isso a favor do seu filho Basta passar na TV para os pequenos decorarem tudo. Aplicam frases de publicidade como ninguém. E bordões de novelas, então? O aparelho é quase uma pessoa a mais dentro de casa. E está mais que presente: uma pesquisa feita pelo canal Nickelodeon relata que 88% das crianças brasileiras se divertem assistindo à televisão. A telinha é preferência nacional e estimula o uso de outro meio de comunicação: o computador. Televisão e computador são aparelhos eletrodomésticos que precisam ter uma espécie de 'manual do usuário' que vá além do apertar de botões. Por mais que você e os dois sejam velhos conhecidos, há uma pergunta a ser feita: como seu filho lida com eles? São tantos canais, programas, um bombardeio constante de informações e notícias. É MSN, Orkut, blogs, MP3, e-mail... Às vezes até parece que seu pequeno entende melhor dele do que você. Mas só parece: a criança não tem maturidade suficiente para usá-lo sem supervisão. 'Informação não é a mesma coisa que sabedoria, e sabedoria não significa competência', diz Lídia Arantangy, psicoterapeuta de casais e família. Você já deve ter ouvido que as crianças de hoje são mais espertas do as de antigamente. Sim, são bem estimuladas, afinal estão expostas a todo tipo de informação. E esse estímulo começa cedo. Ainda bem pequeno, seu filho assiste à TV, ignorando todo o alarde da Academia Americana de Pediatria, que desaconselha a atividade para menores de 2 anos. A gente sabe que, na prática, nem todas as regras são fáceis de serem seguidas, mas, se você não cuidar desde o início, pode deixar os meios de comunicação tomarem seu lugar como modelo da criança. E não é terrorismo. Veja aqui como incluir - ou excluir - esses tão atrativos aparelhos na rotina do seu filho. Sem medo, sem traumas e, principalmente, sem culpa. Sintonizando o problema É só apertar o botão do controle remoto ou do teclado para seu filho mergulhar de cabeça no entretenimento da TV e do computador. Segundo um estudo orientado por Jerome e Dorothy Singer, psicólogos americanos da Universidade de Yale, 82% das mães brasileiras afirmam que assistir à TV é a atividade mais comum de seus filhos. Uma pesquisa do Ministério das Comunicações revela que somos o décimo país com maior número de pessoas conectadas à internet, sendo que a maioria dos usuários são crianças e adolescentes. O computador e a televisão são eletrodomésticos. Da mesma forma que você aconselha seu filho a não deixar a geladeira aberta ou a tomar cuidado com a temperatura do forno, deve ensiná-lo a utilizar esses aparelhos com inteligência. É claro que trata-se de uma relação mais complexa: eles envolvem diversão, emoção, preferências e conhecimento. 'Quando bem usados, são capazes de melhorar a sociabilidade, ampliar horizontes e provocar a reflexão', afirma Claudemir Edson Viana, pesquisador e gestor do Laboratório de Pesquisas sobre Infância, Imaginário e Comunicação (Lapic) da USP, coordenador técnico do portal educativo EducaRede e diretor da Faculdade Montessori, em São Paulo. E como fazer bom uso deles? Equilibrando dois componentes básicos na rotina: conteúdo e tempo de exposição. Curta-metragem É uma questão bem matemática. 'Uma criança que passa muito tempo em frente à tela deixa de fazer outras atividades necessárias ao seu desenvolvimento', afirma a psicóloga da Unicamp Ester Cecília Fernandes Baptistella. José Paulo Ferreira, membro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria, assina embaixo. 'O limite para uma criança maior de 2 anos usar o computador, o videogame e a televisão é de duas horas diárias, de preferência intercaladas com outras atividades, pois alivia o estresse físico e mental.' Se você não segue essa regra, saiba que não está sozinho. Segundo uma pesquisa realizada pela Eurodata TV Worldwide, a criança brasileira é a que mais vê TV no mundo, com uma média diária de três horas e 31 minutos por dia. 'A criança pode transformar a mídia na sua principal referência - papel que deve ser desempenhado pelos pais', diz o pesquisador Claudemir. Trocando em miúdos, a TV vira bicho-papão quando você deixa os personagens se tornarem modelos para o seu filho. E o mesmo vale para aquele DVD que não pára de rodar no aparelho. Assisti-lo diversas vezes é importante para a criança entender melhor a trama, mas, ainda que você tenha certeza de que o conteúdo é bacana, ela deve se distrair com outras atividades. E, você, o que faz? Antes de virar a rotina da criança de cabeça para baixo e esconder o controle remoto, pense em como você influencia a relação dela com os meios de comunicação. Ao chegar em casa, corre para checar os e-mails? Olhe ao redor da sua sala. Em que lugar está a TV? Mesmo que você não pare para assistir, o fato de deixá-la ligada cria familiaridade, praticamente a personifica, lhe dá vida própria. Mas você a-do-ra passar horas vendo seus programas favoritos? Para os especialistas, o ideal é que criança pequena nem deva estar ali (ou porque é tarde para estar acordada ou por causa do conteúdo impróprio). 'Quem decide a programação é você, ainda que precise abrir mão da novela', afirma a psicanalista Mary Lise Moysés Silveira, chefe do setor de Saúde Mental do Departamento de Pediatria da Unifesp. No caso das maiores, há um conselho de Bia Rosemberg, diretora de programas infantis da TV Cultura, que está para lançar um livro com dicas para os pais tirarem o melhor proveito da televisão, pela editora Panda Books. 'O ideal é explicar para a criança os temas que são abordados no seu programa. Ou seja, se aparecer uma cena de apelo sexual, ajude-a a interpretar o contexto.' Ainda assim, cenas violentas devem ser evitadas. 'Uma criança que vê CSI, seriado que investiga crimes, fica impressionada com a aparência das coisas, como o sangue, expressões etc', diz Lisa Guernsey, jornalista e autora do livro Into the minds of Babes - How ScreenTime Affects Children From Birth to Age Five (algo como Por Dentro da Mente dos Bebês - Como a TV Afeta Crianças de 0 a 5 Anos - veja entrevista). No caso da novela, as opiniões são extremas: existem especialistas totalmente contra e outros a favor, em partes. 'Se existir a mediação do adulto, ou seja, se ele estiver presente para conversar sobre os assuntos da novela, ela pode ser uma ótima oportunidade para apresentar o mundo e discutir valores', afirma Cláudio Márcio Magalhães, pesquisador, jornalista e autor do livro Os Programas Infantis da TV - Teoria e Prática para Entender a Televisão Feita para as Crianças (Ed. Autêntica). Os pais que não estiverem prontos ou dispostos a dialogar sobre o tema devem mudar de canal. 'Não precisa ter medo de ser taxado de conservador. Ainda que a criança se queixe, ela espera que você tome conta dela. O que não pode acontecer é a censura. Antes de proibir, exponha seus motivos com uma conversa franca', diz Marcos Cezar de Freitas, professor de Pedagogia da Unifesp e coordenador do Grupo de Pesquisa e Estudos sobre a História da Educação. Não use como desculpa a crença de que seu filho assiste a canais impróprios para a idade dele porque gosta. 'Criança curte programa de criança, não jornal, novelas e seriados. Tanto é que os canais de maior audiência na TV a cabo são os infantis', afirma Cláudio Márcio. Programado para educar Um bom critério na hora de optar por um programa é se perguntar: meu filho aprende alguma coisa com ele? O conteúdo do que seu filho assiste é tão importante quanto o tempo que fica diante dele. 'A criança não é passiva. Durante o programa, ela atribui sentido às coisas e faz isso de acordo com suas capacidades cognitivas e de raciocínio', diz Claudemir. Uma prova disso é o programa LazyTown, exibido no canal Discovery Kids. 'A criança é incentivada pelos personagens a se exercitar, e faz isso durante o episódio', afirma Magnus Scheving, criador e ator do programa. Se escolher o que ela vê e se certificar que é ideal para sua faixa etária, o aproveitamento será maior. Tenha em mente que o conteúdo educativo é qualquer coisa que faça seu filho pensar, estimule a fantasia, exercite o imaginário e diga respeito ao cotidiano dele. E isso varia de acordo com a criança. Por exemplo: o Castelo Rá-Tim-Bum tem, sem sombra de dúvidas, grande potencial educativo. E não só pelo ratinho que incentiva o tomar banho, mas por apresentar também personagens contraditórios como o Nino, que pode ser doce com os amigos ou irritado quando algo não vai do jeito que ele quer. Não há maniqueísmo, ou seja, não há divisão entre o Bem e o Mal. O programa da Xuxa, por exemplo, também abordava o mesmo conteúdo - higiene -, só que a forma é diferente. 'Xuxa imagina a criança sentada em frente à TV, como na sala de aula, atenta às mensagens e suas atrações. É convidada a participar, mas só sob a orientação da 'professora' Xuxa e sem sair de sua carteira. Já Castelo e Cocoricó imaginam seu telespectador não como em uma sala de aula tradicional, mas participante de um grupo de trabalho, de uma coletividade. Está atento não só às mensagens preestabelecidas, mas às conexões com suas experiências, com seu cotidiano e com sua fantasia', diz Cláudio Márcio Magalhães em seu livro. Ou seja, escolher um programa de televisão com intenção educativa para o seu filho é quase como optar pelo projeto pedagógico de uma escola. Qual faz sentido para você? Até mesmos desenhos como Pica-Pau e Tom e Jerry são educativos, pois não apresentam personagens maniqueístas, ou seja, com os valores de bondade e maldade definidos. A criança se identifica com isso. 'Em A Vaca e o Frango e Sorriso Metálico, a questão da nova família é retratada. O primeiro aborda o tema da adoção, enquanto que o segundo mostra uma garota que tem pais separados', afirma Cláudio Márcio. Os desenhos atuais retratam bem a rotina infantil, com informação por todos os lados. São histórias que misturam tecnologia, poucas falas, muita ação e uma moral. Se pararmos para pensar, são bem parecidos com os desenhos do Pica-Pau criados nos anos 40! Portanto, o melhor entretenimento para o seu filho é, na verdade, vários. 'Existem diversos estilos de desenhos porque vivemos em muitas realidades diferentes. O melhor é diversificar a programação', diz o especialista. Tecnologia na sala de aula Fato: a criança aprende muito mais quando está se divertindo. Atualmente, com a questão da segurança das ruas, garotos e garotas passam mais tempo dentro de casa do que brincando pela cidade. Resultado: a televisão e o computador são o entretenimento favorito. 'A tecnologia não é responsável pelo casulo, mas o casulo faz o ato de ficar em casa mais suportável', diz a psicoterapeuta Lídia Aratangy. Com isso, a ludicidade passou a ser desenvolvida no meio digital, ou seja, em vez de trocar a roupa de uma boneca, a menina vai ao site da Barbie e escolhe uma roupa direto do guarda-roupa da loirinha. Ela continua brincando, só mudou o modo. Não quer dizer que a infância acabou, e sim que precisamos lidar com ela de outra forma. 'A escola deve tirar proveito dos meios de comunicação para misturar o mundo acadêmico com o da criança, deixando-o mais atrativo. Se continuarmos com esse preconceito em relação ao computador e à internet, o colégio sempre será o mais chato', diz Cláudio Márcio. É por isso que alguns educadores defendem a idéia de uma disciplina sobre mídia na pedagogia. 'Se o professor for capacitado para ensinar à criança como o conteúdo televisivo é feito, ela fica menos suscetível às influências', afirma Ester Cecília. Atentas a essas transformações, algumas empresas já desenvolvem laptops e portais educativos para acompanhar livros e cadernos. É o caso do grupo educacional Positivo. 'Nós capacitamos nossos professores para ensinar os alunos a usar bem a tecnologia', diz a coordenadora de Pesquisa Betina von Staa. A rede, em parceria com a marca CCE, criou o notebook Classmate, que está sendo implantado no Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo. Eles também têm um portal confiável, que filtra a pesquisa dos alunos. Faz tanto sucesso que eles o acessam de casa cerca de 45 vezes por semana. No Colégio Magister, em São Paulo, os alunos de 6ª e 7ª séries têm blog próprio e são estimulados a escrever diariamente - nem precisa dizer que eles adoram. Mas, ainda que a escola ensine seu filho a usar bem a tecnologia, o grande responsável pela educação dele é você. Função desliga Computador e televisão não são ameaças, contanto que você participe da escolha dos sites e canais e limite o tempo de exposição. 'É fácil comprar um programa que promete deixar seu filho inteligente quando, na verdade, são sua mediação e seu estímulo que farão isso', diz o pedagogo Marcos Cezar. Prova disso são os estudos relacionados ao Vila Sésamo, seriado que acaba de reestrear na TV Cultura e é referência em conteúdo educativo. 'A criança que é estimulada pelos pais enquanto assiste ao programa aprende melhor', afirma Bia Rosenberg, da TV Cultura. Mas, e na prática, com você trabalhando o dia todo? 'Quando chegar em casa, pergunte o que seu filho fez, ao que assistiu, o que mais gostou no desenho, o que não achou legal, se navegou na internet etc', diz Rosa Maria Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática. Assista ao programa e verifique as páginas que ele visita, pelo menos uma vez. É bom ter regras claras quanto ao horário e o tipo de programação assistida. Claro que, para tirar seu pequeno da frente do computador ou da TV, você vai precisar dar alternativas - e a solução não é matriculá-lo em todos os tipos de aula. 'A criança precisa de um equilíbrio e tem de ter a hora da preguiça. Inventar uma agenda de executivo cria outro problema', afirma Rosa. O melhor é estabelecer um cotidiano com atividades lúdicas, como aula de arte e brincadeiras com amigos. Combine com seu filho por quanto tempo ele pode assistir à TV e se divertir no teclado, bem como o que é jogado ou visto. E, se você precisa estar por perto, desaconselha-se ter qualquer um dos dois no quarto do pequeno: dificulta a socialização também. Bem, se ele pode ter tudo isso à volta, merece também entender o que está acontecendo. Não é apenas dizer 'não', proibir. É uma parceria. Se a criança hoje é mais preparada para viver um tudo-ao-mesmo-tempo-agora, há o outro lado. 'Neste caldeirão de informações, ela precisa dos pais para mediá-las', diz Marcos Cezar. É assim que cria repertório cultural e desenvolve visão crítica do mundo. Os pais são sua melhor companhia. Foi após o nascimento das duas filhas que a jornalista norte-americana Lisa Guernsey - especialista em educação, ciência e tecnologia - resolveu estudar os efeitos da televisão em crianças menores de 5 anos. Juntou as informações ao dia-a-dia em casa e lançou Into the Minds of Babes - How Screen Time Affects Children From Birth to Age Five (algo como Por Dentro das Mentes dos Bebês - Como a TV Afeta Crianças de 0 a 5 anos, editado pela Basic Books e inédito no Brasil). Como e a partir de que idade as crianças aprendem com a TV? A criança aprende por meio da observação. Existem algumas diferenças interessantes. Por exemplo: pesquisas mostram que crianças de 1 a 3 anos e no início da pré-escola aprendem mais com pessoas. Quando vêem exatamente o mesmo conteúdo em vídeo, são menos propensas a imitar ou utilizar as informações transmitidas. Este fenômeno foi apelidado de 'vídeo déficit' e está provado que ele desaparece quando o pequeno assiste ao programa diversas vezes. Um estudo da Universidade de Georgetown (EUA) mostrou que o 'vídeo déficit' sumiu após seis repetições do show ou quando a criança se envolve com o personagem da tela como se ele fosse real. Não há muitas provas de aprendizagem em crianças de até 2 anos. Mas vale lembrar que elas aprendem quando o pai aponta, repete e fala coisas que são vistas na televisão, da mesma forma que o faz com livros. O que é mais importante: o conteúdo ou quanto tempo ela assiste? Eu gostaria de salientar os três Cs: Conteúdo, Contexto e sua Criança. Não é uma questão de considerar tempo ou conteúdo, e sim os dois juntos, assim como prestar atenção às necessidades do filho (como cochilos, recreio, exposição a novas palavras etc). Se ele assiste a mais de uma hora de TV, dentro do contexto de vida dele provavelmente tem menos tempo para conviver com amigos, comer, dormir, explorar, ler, ouvir a mãe ou o pai... Como escolher um bom programa? Tenho alguns critérios: 1. Histórias diretas, levando a criança do ponto A ao B sem flashbacks ou tramas paralelas. Sem uma narrativa simples e linear, as crianças de 2 e 3 anos não conseguem acompanhar o episódio. 2. Procure programas em que o personagem ou narrador faz uma pergunta e espera alguns segundos pela resposta. Pesquisas mostraram que, a partir dos 2 anos, as crianças envolvidas com um personagem são mais capazes de usar e lembrar o que aprenderam com ele. 3. Se um personagem está falando sobre uma pá, ela deve ser visível para o telespectador e estar salientada pelo personagem. Caso contrário, a palavra pode parecer abstrata e incompreensível. Quando palavras e ações são bem marcadas, o ritmo do programa é mais lento. 4. Crianças precisam ouvir a mesma coisa diversas vezes. O mesmo acontece com a televisão. Procure programas que reprisam o que aconteceu, repita o vocabulário e estabeleça uma rotina (a mesma cena de abertura, usando a mesma música de transição para um novo local etc.) E a TV pode ficar ligada, ainda que a criança não a esteja assistindo? Não. Uma pesquisa da Universidade de Massachusetts (EUA) descobriu que, mesmo que a criança não esteja assistindo à TV, ela é afetada pelo aparelho. Quando o televisor está ligado, o pequeno brinca com seus brinquedos por menos tempo e não foca a atenção na brincadeira. Além disso, a interação com os pais é diferente. Você presta atenção na criança, mas fica menos envolvido com ela. Por fim, alguns estudos mostram que crianças são menos capazes de aprender a própria língua quando há muito ruído, pois ele dificulta a capacidade delas para isolar certas palavras que a mãe e o pai dizem. Tudo bem deixar a TV ligada para ter uns, digamos, 'minutos de paz'? Eu relaciono completamente uma coisa à outra, ou seja, os meus minutos de paz ao televisor. Em moderação (30 minutos por dia) há pouca ou nenhuma evidência de que a TV faz mal. E, depois dos 2 anos, há provas de que um programa bem concebido, como As Pistas de Blue, pode ser bastante útil. Depois de investigar o assunto para o meu livro, fiquei aliviada por dar a minhas filhas (que agora estão com 3 e 5 anos) um pouco de TV (de 30 a 60 minutos diários pela manhã). Elas assistiam ao As Pistas de Blue e Dora, a Aventureira enquanto eu fazia uma ligação, lia o jornal, limpava a casa ou lavava a louça. Durante uma hora, aprendiam algo novo enquanto eu terminava minhas tarefas para, depois, passar o tempo ao lado delas. Sem dúvidas, o bom uso da TV me ajudou a ser uma mãe melhor. Conversamos com mais de 300 leitoras sobre suas dúvidas e perguntamos também quais os seus segredos para equacionar em casa tempo, qualidade e diversão para as crianças. Tenho dúvidas sobre como agir quando há cenas de violência ou sexo na TV e isso chama a atenção da minha filha de 2 anos. Devo explicar para ela o que está acontecendo ou tirá-la de perto? :: Bianca Rosa, Porto Alegre, RS Lá em casa prefiro não assistir à novela ou a algum programa violento quando estou na companhia dos meus filhos. Isso previne alguns constrangimentos. Sei que existem situações inevitáveis, mas só respondo ao perguntado. :: Misol Berenguer, Recife, PE Meu marido e eu priorizamos a programação infantil. Evitamos assistir a filmes ou novelas que possam despertar a atenção de nossa filha de 2 anos e 7 meses. Compramos vários DVDs de histórias e musicais. O melhor é tirá-la de perto. :: Paula Matos Seráfico, Belém, PA Percebi que meu filho de 2 anos, que antes permanecia conosco assistindo a todos os filmes do pai, começou a ter pesadelos. Afastei-o da vida televisiva. Ainda não é hora dele vê-los. :: Helen Volnea Oliveira, Crato, CE Meu filho de 5 anos gosta dos filmes dos Power Rangers e percebo que ele está agressivo nas brincadeiras com os colegas. O que devo fazer? :: Maria Auxiliadora da S. Santos, Salvador, BA Nessa fase, a criança repete tudo o que vê. Como não tem noção do perigo, é também quando mais se machuca. Já aconteceu comigo e resolvi trocando o programa por desenhos e filmes leves e educativos. :: Eliandra Alves, Volta Redonda, RJ Expliquei ao meu filho que, quando brincamos de faz-de-conta, temos de ter cuidado para não machucar alguém, pois também não gostamos de nos ferir. Assim ele associa as diferenças. :: Adriana Gouveia, São Paulo, SP Essa fase dos super-heróis passa. Quando meu filho tinha a idade do seu, era a mesma coisa. Matriculei-o, então, em uma escola de artes marciais. :: Luciana Ditódaro, Araraquara, SP Meu filho fica hipnotizado ao assistir à TV desde bebê. Agora, com 10 anos, isso está prejudicando sua vida escolar, pois ele deixa de fazer suas obrigações para ficar em frente à tela. Como agir para que ele diversifique seu lazer com outras atividades, como a leitura? ::Creusa Barbalho, Natal, RN Meu filho começou fazendo isso e, se não impusermos limites, eles abusam mesmo. Estipulo as horas da TV e, se ele não cumprir as obrigações escolares, o aparelho fica desligado. Hoje ele já faz isso sozinho, mas estou de olho. ::Regiane de Ronce Ribeiro, São Paulo, SP Digo a meus filhos que algumas coisas eles podem escolher, outras não. Fazer atividade física fora da escola duas vezes por semana é uma das que eles não podem escolher, porém os deixo escolherem o esporte que quiserem. E sempre primeiro a lição, depois a TV. ::Valéria Baraldi, Santo André, SP Aqui em casa as coisas eram um tanto bagunçadas, então resolvi mudar e estipular horários e tempo para cada atividade. Hoje percebo que os meus filhos só ganharam com isso, pois a qualidade de vida melhorou muito. ::Karin Danielle Lima, Curitiba, PR 'Os pais devem escolher a programação infantil e, com bom senso, determinar o que é bom ou ruim para seus filhos. Não é bacana para uma criança de 2 anos assistir a programas violentos e sensuais, pois ela não tem desenvolvimento cognitivo para entendê-los. Proponha outra atividade nesse horário. As crianças devem saber lidar com a agressividade. Os programas e jogos violentos são uma forma de vivenciar esse sentimento na fantasia. Se seu filho parou de brincar de brigar e começou a agredir de verdade, veja como está a rotina dele. Ele está sendo ouvido em casa? Você o deixa fazer escolhas? Lembre-se de que a violência é um modo de seu filho se auto-afirmar. Quando bem canalizada, não apresenta riscos. Será preciso investir tempo e atenção, pois seu filho pode estar grudado na TV por se sentir sozinho. Ofereça amigos a ele, chame os colegas para brincarem na sua casa, vá ao parque, incentive uma atividade física. Se quiser estimulá-lo na leitura, uma boa estratégia é ler com ele, representando os personagens, observando a reação do menino. Quanto à escola, certifique-se de que está tudo certo por lá, afinal notas baixas podem ser conseqüência de um problema em relação ao colégio.' A internet pode até não ser mais uma surpresa para você. Mas, quando o assunto é proteger os filhos, parece ter de aprender tudo de um jeito diferente, não? Em Pais e Filhos Conectados - Dicas para Aproveitar a Internet com as Crianças (Ed. Artes e Ofícios), a mãe e publicitária Valéria Portella, que há mais de quatro anos tem o blog Linkbrink para orientar pais a navegar tranqüilos na rede, conta casos e dá várias dicas sobre o tema. Pinçamos alguns itens: 4 alertas Troque o ser chato pelo ser mestre Em vez de criar barreiras, a internet pode tornar pais e filhos grandes parceiros de descobertas e brincadeiras. Ensine você mesmo Se for iniciante no assunto, peça ajuda a algum amigo ou até mesmo faça um curso rápido. As dúvidas serão tiradas com você. Aprenda algo também sobre o funcionamento do computador: uma criança frustrada com o fim súbito de uma brincadeira é um problema mais complicado de resolver. Atenção às palavras da busca Os sites de busca não avaliam o conteúdo dos endereços on-line que surgem no resultado. Fique atento: a criança que digitar 'princesa' vai encontrar sites internacionais mostrando a Branca de Neve e a Cinderela. Mas também pode dar de cara com o endereço virtual da 'princesa' que dança em um night club. Máquina bem à vista A melhor forma de proteger a criança durante a navegação é muito simples. Deixe seu computador em um lugar da casa onde a tela possa ser vista. 4 vantagens Brincar sem parar Ao contrário do mundo real, na web dá para andar de skate mesmo em dias de chuva, dá para se divertir com vários amigos ao mesmo tempo sem bagunçar a sala, dá até para consultar uma biblioteca sem precisar falar baixinho. Ler o livro, ver o filme, jogar o game Agora as crianças podem fazer tudo isso, não necessariamente nesta ordem. Editoras e produtoras de filmes e games estão lançando o pacote todo. Acostume-se também a mostrar aos seus filhos sites de bibliotecas e livrarias. Boa convivência Ajudar seu filho a achar os sites da banda, do time de futebol, da boneca preferida ou de qualquer outro tema de que ele gosta é uma ótima maneira de deixar você em dia com o universo dele. Desde bebês Bebês também podem se divertir. Os pequenininhos que ainda estão desenvolvendo a coordenação motora usam o mouse como costumam usar o lápis: com movimentos amplos. Revista Crescer, Edição 171, Fevereiro/20008 link: Revista Crescer - Tv e computador – você é o filtro |