|
|||||||||||||
|
HR será pioneiro em cirurgia contra obesidade infantil Neste sábado, 16, um grupo de crianças e 20 adolescentes que são atendidos no Programa Terapia de Obesidade Infantil, no Hospital Regional Rosa Pedrossian, em Campo Grande, passará por uma triagem e os selecionados já vão agendar cirurgias para redução de estômago. São pacientes com idades entre 10 e 17 anos, que têm mais de 100 quilos e que há anos no programa não conseguiram redução significativa de peso. O coordenador do programa, o médico Sandro Trindade, afirma as de cirurgias de redução de estômago voltadas especificamente para o público infantil e juvenil, pelo SUS (Sistema Único de Saúde), são inéditas no País. Esses jovens já apelaram para vários recursos para emagrecer, desde a dieta até o uso de medicamentos, mas não conseguiram reduzir o peso. A diferença entre estes pacientes e os outros que sofrem com obesidade, diz o médico, é que o acompanhamento psicológico e pela família têm de ser mais intensos. As cirurgias, segundo Trindade, serão realizadas por um médico que recebeu treinamentos e realizou os procedimentos em crianças na França. Ele será o multiplicador de conhecimentos para a equipe do Hospital Regional. Alívio – Para quem passou a maior parte da vida lutando contra a obesidade, a possibilidade de aplacar o problema com uma intervenção cirúrgica é recebida com alívio. Esse é o caso do estudante William Souto Alves, de 16 anos, que mora em Rochedo, a 83 quilômetros de Campo Grande. A possibilidade de ir à mesa de cirurgia divide a opinião dos pais do garoto. A mãe, Fátima Souto, diz que fica preocupada e acredita que William conseguiria emagrecer praticando exercícios com mais regularidade e não descuidando da alimentação. “Ele está em tratamento há um ano e já emagreceu 16 quilos. Nas férias ele deu uma relaxada”, afirma. Já o pai do adolescente, o comerciante Walfrido Alves Júnior, aprova a opção do filho. “Eu acho essa possibilidade fantástica porque a obesidade é um problema que afeta psicologicamente, principalmente os adolescentes. Eu sou totalmente a favor”, diz. Dúvidas – Na cabeça de Willian a questão ainda não está definida. “É difícil perder peso, quero fazer a cirurgia, mas os meus amigos dizem que não muda muita coisa”. O futuro aluno de medicina confessa que é aplicado para os estudos e tem conseguido seguir os conselhos médicos para não consumir em exagero os alimentos que mais gosta: lasanha e carne gorda. “Posso tudo, mas os pratos preferidos e o refrigerante ficam para os fins de semana”. A cirurgia, porém, iria proporcionar com rapidez o resultado que o jovem tem sonhado há anos e ser magro. “Sempre fui gordinho. Quando tinha 4 anos minha mãe achava bonitinho, mas agora as coisas não são assim”, explica. Ele conta com a ajuda da namorada para os exercícios físicos que assume: são praticados em menos intensidade do que deveriam. “Acredito que com a cirurgia será mais fácil, mesmo com o risco. Eu emagreci e voltei a engordar novamente. Mas com meu peso, agora, o próprio médico acredita que talvez não precise. Por isso quero completar 18 anos para o procedimento”. A psicóloga Maria Cecília Romero da Rocha explica que o importante antes de tomar decisões sobre a cirurgia é saber que ela é mais uma entre várias alternativas de tratamento. “Se a pessoa não tiver compromisso com a equipe de trabalho e fizer tratamento psicológico vai engordar tudo novamente”, explica. Outro fator, explica a psicóloga, é encontrar a causa da obesidade. “Há vários problemas que desencadeiam o aumento de peso, muitos deles são emocionais e precisam ser tratados. A cirurgia não é definitiva, mas está comprovado que um trabalho de acompanhamento mantém os resultados”. O tratamento psicológico tem, ainda, ajudado a reduzir o peso mesmo sem a cirurgia. No caso de adolescentes, Maria Cecília revela que, em geral, desaconselha o procedimento. “Pela própria idade dos pacientes”, justifica. (Fernanda Mathias e Sandra Luz) Campo Grande News, 15/02/2008, gerada às 18h10 link: http://www.campogrande.news.com.br:80/canais/view/?canal=8&id=220448 |