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Para crianças com estilo Designers estrangeiros e nacionais investem em coleções infantis e fidelizam clientes desde o berço Na nova loja de Marc Jacobs, em Nova York, não são suas famosas bolsas que atraem a atenção dos clientes. Quem vai lá está à procura de vestidos, sweaters ou casacos – para crianças. A Little Marc, aberta em novembro passado, faz sucesso com os endinheirados que gostam de grife e não se incomodam de desembolsar US$ 300 em uma blusa de cashmere para os filhos. Marc Jacobs é o mais novo estilista a entrar no mercado infantil, um nicho que representou US$ 44 bilhões em vendas em 2007. Há dois anos, ele começou a confeccionar algumas peças, na estação passada lançou uma coleção inteira e agora planeja a abertura de mais duas lojas para crianças nos Estados Unidos este ano. Hoje, é possível vestir um bebê ou uma criança com grife da cabeça aos pés. Dolce & Gabbana, Armani, Dior, Chloé, Missoni são algumas das marcas internacionais que começaram a fidelizar clientes desde o berço. Os bebês- celebridades também ajudam a dar força à tendência. As fotos da pequena Suri, filha de Tom Cruise e Katie Holmes, vestida de Burberry correram o mundo. E vêm mais opções por aí: o designer John Galliano, da Dior, prepara uma coleção especial para a Diesel, marca italiana de jeans que hoje já atua neste nicho com a Diesel Kids. No Brasil, há poucas alternativas de roupas de estilistas internacionais para crianças. Mas quem está no ramo não se arrepende. “Acabamos de vender um enxoval de R$ 6 mil para um político do Nordeste”, conta Márcia Tontvianne, supervisora da loja Petit Lippe, do Rio de Janeiro, que comercializa Baby Dior na unidade do shopping Fashion Mall. É o único endereço no País que vende a linha infantil da Dior. Há dois anos, a Petit Lippe iniciou a parceria com a grife e atualmente recebe cerca de 200 peças por coleção de zero a seis anos. Os preços vão de R$ 140 por um body a R$ 1.400 por um mandrião para batizado. “O nosso cliente viaja muito e costuma comprar lá fora. Mas sempre tem um presente de última hora e aí eles vêm aqui”, diz ela. “O Benício, filho da Angélica, ganhou muitas roupinhas Dior compradas na nossa loja.” Quem quer fugir do padrão das roupas tradicionais e apostar no diferencial de um designer para vestir o filho com estilo também tem opções nacionais. O inventivo Ronaldo Fraga foi um dos primeiros a confeccionar roupas para crianças. A Ronaldo Fraga para Filhotes foi criada sem grandes pretensões há cinco anos, quando nasceu o primeiro filho dele, Ludovico. Hoje, tem espaço próprio nas lojas de São Paulo e Belo Horizonte e vende desde peças mais baratas, como shorts (R$ 35), até as mais elaboradas, como vestidos de patchwork em tafetá (R$ 435). Ronaldo apoiase na cor, no humor e em pequenas delicadezas feitas à mão e ilustradas com elementos da cultura brasileira para confeccionar as peças destinadas a crianças de zero a dez anos. A estilista Cris Barros decidiu lançar a Cris Barros Mini para meninas de um a 12 anos depois que viu uma cliente cortar o próprio vestido longo para vestir a filha. “Sempre houve pedidos para fazer roupas para crianças, mas até esse episódio eu não levava isso muito a sério”, conta ela, que ainda não tem filhos. Esta coleção de verão, a primeira da linha infantil, teve ampla aceitação, segundo a estilista. Criadora de peças delicadas e femininas, Cris adaptou os mesmos modelos e estampas dos adultos para as meninas. Mãe e filha podem sair iguaizinhas. “É uma delícia fazer roupas para crianças, é um mercado bacana, que tem apelo fácil”, diz ela. A designer Isabela Capeto prepara sua primeira coleção solo de roupas infantis para meninas de quatro a dez anos. Em setembro passado, ela lançou alguns modelos em parceria com a Petit Retrô. “É um mundo diferente, dá para criar mais, fazer peças mais divertidas”, diz a estilista. Mãe de Francisca, de nove anos, ela sabe, porém, que este é um universo muito próprio. “Quando eles gostam, amam. Mas, quando odeiam, não há o que uma mãe possa fazer para eles usarem a peça”, afirma. Isabela sabe bem do que está falando. Famosa pelas roupas com um toque artesanal, está conformada com o estilo básico, jeans e camiseta, da filha. “A marca de que ela mais gosta é a Gap.” *O segmento de vestuário infantil equivale a 15% do mercado total *O faturamento do setor em 2006 foi de US$ 2,41 bilhões *As confecções para meninas representam cerca de 70% das peças vendidas *Cerca de 1 bilhão de peças são produzidas anualmente IstoÉ, 20/02/2008 link: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/1998/artigo72534-1.htm |