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Insuficiência de ferro na dieta impede o desenvolvimento infantil Metade das crianças com menos de 5 anos no país tem carência do nutriente Um dos fatores de mortalidade materna e de baixo peso ao nascer entre os brasileiros, a anemia ferrovia atinge metade das crianças menores de 5 anos de idade no país, de acordo com dados do Ministério da Saúde (MS). A doença dificulta o desenvolvimento mental e influi negativamente no desenvolvimento escolar. Sua origem está em hábitos de alimentação inadequados. A quantidade insuficiente de ferro na dieta leva ao quadro clínico de anemia. Em 2005, o MS criou o Programa Nacional Suplementação de Ferro, que consiste em suprir com medicamentos que contêm ferro crianças de 6 a 18 meses de idade, gestantes a partir da 20ª semana e mulheres até o 3º mês pós-parto. Os suplementos de ferro são distribuídos, gratuitamente, às unidades públicas de saúde de todos os municípios do país, de acordo com o número de crianças e mulheres que atendam ao perfil de sujeitos da ação do programa. “O ferro é um elemento formador do sangue, sua carência diminui a quantidade de oxigênio e nutrientes levados para os órgãos do corpo, inclusive o cérebro. A seqüela mais direta é a lentidão no raciocínio, o que leva ao baixo índice de desenvolvimento na escola”, afirma a nutricionista Valderez Aragão. Ela é coordenadora do Banco de Leite Humano da Maternidade Climério de Oliveira da Universidade Federal da Bahia (Ufba), além de ser professora do curso de nutrição do Centro Universitário da Bahia (FIB). O atraso no desenvolvimento mental das crianças provocado por esta enfermidade pode ser evitado com cuidados básicos de alimentação. O estímulo a que os pequenos sejam habituados a comer alimentos ricos em ferros é uma tarefa sobretudo dos pais. No caso do ferro é possível encontrá-los em quantidades generosas em todos os tipos de feijão, frutos como o caju, brócolis, espinafre, couve, abóbora, quiabo, dendê, gema de ovo e carne bovina. Obesidade - Mas nem só de carência de ferro vive a relação alimentação inadequada/baixo rendimento escolar. Os pais devem estar atentos ao tipo de comida que é oferecido aos filhos nas escolas. Devem ser combatidas cantinas que privilegiem alimentos gordurosos, em vez de uma dieta balanceada. A obesidade, segundo Aragão, também é um fator de atraso na escola. “ Estas lanchonetes nas escolas, normalmente vendem salgadinhos, frituras que são ricos em amido, que causa uma sensação de saciedade, que inibe a procura de algo mais saudável”, explica Aragão. Para a nutricionista é preciso que os pais também tenham o que pode ser chamado de “consciência alimentar” para ajudar os filhos a comerem melhor. “Participei de reuniões em que os pais nos questionavam porque a cantina da escola não vendia mais refrigerante. É uma mentalidade que tem de mudar”. A gerente de contas Lívia Lima matriculou o filho Lucca, 5 anos, numa escola que não possui cantina, e cujo cardápio oferecido na hora do recreio é selecionado por uma nutricionista. “Antes eu colocava as frituras, como quibes, ou salgadinhos na lancheira dele”, reconhece a administradora. Lívia considera, contudo, que a escola deveria ser menos “inflexível” e buscar um equilíbrio nesta questão. Ela explica: o motivo é que por mais esforço que se faça, Lucca não come nenhum tipo de fruta. Apenas toma sucos. “Eu acho que poderiam dar um biscoito Maria ou bolo porque ele sempre chega em casa morto de fome”. (Flávio Costa) Correio da Bahia, Aqui Salvador, 18/02/2008 link: http://www.correiodabahia.com.br/aquisalvador/noticia.asp?codigo=147817 |